Para quem diz que "filho não vem com manual." Dicas de mães sobre quase tudo. Diversão, alimentação, educação, vestuário.... a complexidade do assunto traz uma lista sem fim de assuntos a serem tratados.
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domingo, 23 de junho de 2013
“Para dedicar tempo aos filhos, é preciso deixar outras coisas de lado”.
O escritor Sergio Sinay, 66 anos, é um especialista em vínculos humanos. Sociólogo e jornalista, formou-se na Escola de Psicologia da Associação Gestáltica de Buenos Aires. Requisitado consultor sobre assuntos familiares e relações pessoais, tem vários livros publicados. O mais novo, Sociedade dos Filhos Órfãos, que acaba de sair em português (Editora BestSeller), é uma dura crítica ao modo de vida da atualidade, em que pais delegam a educação e a atenção aos filhos para babás, escolas e até para as novas tecnologias – como celular, televisão e computadores. Esse comportamento transmite aos filhos a noção errada de que basta ter dinheiro para encontrar quem se encarregue daquilo que nos cabe fazer, afirma Sinay, em seu livro.
Casado e pai de um jovem, Sinay diz que o amor é uma construção contínua que se fortalece diariamente com responsabilidade e comprometimento.
Há uma geração de filhos sem pais presentes nascendo ou ela sempre existiu?
SERGIO SINAY – Sempre houve pais que não assumem responsabilidades e sempre haverá. Mas nunca houve como hoje um fenômeno social tão amplo e profundo a ponto de criar uma geração de filhos órfãos de pais vivos. Pela primeira vez podemos dizer, infelizmente, que os filhos com pais presentes que cumprem suas funções são uma minoria.
Até que ponto a relação dos pais com os filhos reproduz um estilo de vida da atualidade?
Vivemos numa cultura do utilitarismo, em que se busca o material a qualquer preço e por qualquer caminho. As pessoas se medem pelo que possuem e não pelo que são. Os pais correm atrás do material e descuidam de seus filhos que, por sua vez, aprendem a valorizar apenas o bem material. Essa é a fórmula para criar filhos materialistas.
Em vários trechos do livro, o senhor diz estar convencido de que muita gente ficará irritada com o que está escrito. Por quê?
Porque muita gente não gosta de escutar ou ler o que precisa, apenas o que gosta. Os pais de filhos órfãos, em sua maioria, não admitem sua própria conduta e acreditam que ser pai e mãe consiste em comprar coisas para os filhos, matriculá-los em escolas caras, dar celulares e computadores modernos.
1- O senhor relaciona o fracasso dos pais na educação dos filhos ao medo que eles têm da reprovação infantil. De onde vem esse medo e como fugir dessa armadilha?
O medo vem de uma cultura que transformou as relações humanas em transações comerciais. As pessoas se enxergam como recursos ou clientes. Os pais tratam de comprar o amor dos filhos e temem que o cliente não esteja contente. O carinho dos filhos não se compra. Amor se constrói com presença, atitudes e assumindo a responsabilidade de liderar o caminho dessa vida em direção à autonomia. Para isso, há que se estabelecer limites, marcar as fronteiras, frustrar. Criar e educar é também frustrar, ensinar que nem tudo é possível. Só assim se ensina a escolher. E só quem escolhe pode ser livre. Os pais, no entanto, têm medo de não ser simpáticos, então se esquecem de ser pais, que é o que os filhos precisam.
2-Ao se referir ao modelo do passado, em que as mães eram o retrato do sacrifício, e os pais, da disciplina ainda que com distância emocional, o senhor diz que todos sabiam seu papel, algo não acontece hoje. Aquele modo de educar era de alguma forma melhor?
Aquele modo de educar tinha muitas limitações e era muito rígido em muitos aspectos. Mas se sabia claramente quem eram os pais e quem eram os filhos. Os pais não tinham medo de atuar como pais, ainda que às vezes cometessem excessos em sua autoridade. Mas é sempre mais fácil corrigir um excesso do que superar uma ausência. Alguém pode mudar um modelo pobre ou insuficiente. Muito mais grave é não ter modelo.
3-Ao abordar o problema de jovens envolvidos com drogas e violência, o senhor diz que a solução é os pais terem mais controle sobre o que eles fazem e onde vão. Como não resvalar para a superproteção?
A infância e a adolescência são etapas muito breves da vida e necessárias para o amadurecimento biológico, psíquico e cognitivo. Seremos adultos a maior parte da nossa vida. A adolescência termina entre os 18 e os 19 anos. Quando os pais são ausentes ou não cumpriram suas funções, vemos adolescentes imaturos de 30 ou 40 anos. Se os pais pegam no leme do barco, e realizam esse trabalho com amor, ao fim da adolescência, seus filhos serão pessoas com ferramentas para caminhar pela vida. Terão muito por aprender ainda, mas terão boas bases e um bom sistema imunológico contra os principais perigos sociais. Os limites do controle vão mudando com a idade dos filhos e vão se flexibilizando até desaparecer por completo. Para saber quando e como modificá-los, há que estar presente.
4-Ao propor que os pais busquem interagir com outros pais para a realização de programas em comum e conversas que afinem experiências e atitudes, o senhor está sugerindo que educar é, de alguma forma, uma obra coletiva?
Educar é uma missão intransferível de quem, biologicamente ou por adoção, criou um vínculo de maternidade e paternidade. A responsabilidade é sempre individual. Conversar com outros pais e empreender projetos comuns, ajuda a afirmar a tarefa e permite a troca de experiências úteis.
5-Nas grandes cidades, em que muitos pais sequer comparecem às reuniões na escola, não é uma utopia propor essa interação entre os pais?
Sem utopias, não se avança. E se cruzarmos os braços, perdemos a batalha. Muitos casais responsáveis e amorosos se sentem sozinhos, não concordam com o que vêem outros pais fazendo e seguem adiante com suas convicções. Por isso, há que falar e propôr interação, dizer a eles “vocês estão num bom caminho”, compartilhem isso. Quando esses pais começarem a falar descobrirão que muita gente pensa assim também, mas estava em silêncio.
É o caso de uma família evitar certos círculos de pessoas e lugares, e até cidades, se achar que a vida do filho está indo pelo caminho errado?
Não se pode ter medo de tomar decisões, dizer não, proibir certas relações perigosas. Os filhos vão protestar, tentarão transgredir. Isso não é um problema, é parte do processo. Os filhos sempre buscarão transgredir para crescer. O problema é quando os pais viram o rosto, olham para o outro lado, não estabelecem limites ou têm medo dos filhos. Ser pai com amor e presença não significa converter-se em uma pessoa simpática, em um animador de televisão. Às vezes, há que se tomar medidas duras.
6-O senhor diz que muitos pais usam a suposta importância da qualidade do tempo ao lado do filho para justificar a ausência. O que é qualidade de tempo com o filho, na sua opinião?
Não há qualidade sem quantidade. Em qualquer tarefa para alcançar qualidade é preciso tempo, compromisso, dedicação. O famoso “tempo de qualidade” de que falam muitos pais – e que inclusive tem o apoio de pediatras e psicólogos infantis – é uma desculpa para que os pais não se sintam culpados. Os pais são adultos e um adulto sabe que na vida não se pode tudo. Há que optar. Para dedicar tempo aos filhos, é preciso deixar outras coisas de lado. O “tempo de qualidade” são cinco minutos nos quais os pais culpados dão tudo aos filhos para evitar o conflito. Isso faz muito mal aos filhos. Se não há tempo, não há qualidade. E se não há tempo para os filhos, é preciso pensar antes de se tornar pais. Depois é tarde.
Mas muitos pais não escolhem seus horários, o tempo que perdem no trânsito e, por falta de opção, ficam menos com os filhos do que gostariam. O senhor não acha que os filhos aprendem a diferenciar os pais que nunca estão porque não querem dos pais que não estão porque não podem?
A responsabilidade de ser pais nos obriga a fazer escolhas. É verdade que os pais são demandados por muitas atividades. Mas eu pergunto “são todas obrigatórias?”. Muitas vezes, trabalha-se demais para pagar o que não é necessário. Ser pai e mãe é uma oportunidade para aprender a diferenciar os desejos das necessidades. É uma oportunidade para aprender a diferenciar o que a publicidade vende do que realmente precisamos. Tudo que requer nosso tempo é imprescindível? Podemos trabalhar menos enquanto criamos os filhos pequenos? É possível dividir melhor o tempo entre pais e mães? Por que tem que ser sempre a mãe a que duplica suas tarefas? Por que podemos dizer “não” ao tempo que nossos filhos exigem de nós em vez de dizer “não” aos outros? Se os pais têm sempre tempo para suas obrigações e nunca para seus filhos, os filhos aprendem que essas outras coisas (trabalho, reuniões, encontros sociais, esportes etc) são mais importantes do que eles porque nunca podem ser adiados. Não é obrigação dos filhos compreender os pais (ainda mais quando são pequenos). É obrigação dos pais atender às necessidades dos filhos.Por isso é preciso pensar antes de ser tornar pai e mãe.
7-O senhor critica também a estratégia de entreter as crianças com DVDs em viagens para elas ficarem quietas. Vemos esse comportamento da não-interação se estendendo à mesa de restaurantes, festas.
Onde está o erro dessa atitude?
Ser pai e mãe é um trabalho. Não se pode delegar esse trabalho às novas tecnologias. Essas tecnologias muitas vezes nos conectam mas nos tornam incomunicáveis. Isso se vê especialmente nas famílias, onde todos têm celulares e computadores, mas não mantêm diálogos nem proximidade.
8-O senhor diz que escola não educa, ensina. O que não se deve esperar da escola?
Educar é transmitir valores por atitudes, vivendo os valores que pregamos. Educar é ensinar que as pessoas são o fim, e não o meio, algo que se passa por vínculos. Educar é transmitir a certeza de que cada vida tem um sentido e há que viver a busca desse sentido. Isso é educar, é o que fazem os pais com presença, ações e condutas. A escola é a grande socializadora que ensina a viver a diversidade e a respeitá-la, que treina habilidades para viver e atuar no mundo, que dá informação vital sobre esse mundo e que é uma ponte para ele. A escola e os pais são sócios, não podem se separar, nem se enfrentar. Tem que atuar de um modo cooperativo. Os filhos são alunos da escola, não clientes. A escola não é um parque de diversões, nem creche, nem shopping. A escola não pode fazer a vez do pai e da mãe. Os pais não podem pedir à escola que ocupe o lugar que eles deixam vago. Pais que não respeitam as escolas ensinam seus filhos a não respeitar as instituições.
9-Que mensagem o senhor daria para os pais que, sem perceber, estão deixando os filhos de lado acreditando estarem fazendo a coisa certa?
Eu os recordaria que ser pai e mãe foi uma escolha. Em pleno século 21, quem não quer ter filhos não tem, de modo que não há desculpas. Quem tem filhos tem responsabilidades sobre uma vida. Essa vida precisa de respostas. E diria que só há uma maneira de aprender a ser pai e mãe: convivendo com os filhos, estando presentes em suas vidas, errar, pedir desculpas, reparar o erro e seguir adiante, sempre com responsabilidade e presença.
10-Em seu livro, o senhor deixa claro que educar é um processo contínuo que exige envolvimento e dá trabalho, mas é fato que muita gente opta por soluções fáceis. Que soluções fáceis devem ser postas de lado?
Filhos não vêm com manual de instruções. Cada filho é uma pessoa única. Por isso não há soluções fáceis nem receitas. Nossos filhos nos ensinam a ser pais. Querer que um pediatra, um professor, um psicólogo, a televisão, a internet, uma babá, os avós ou a escola se encarregue dos filhos é buscar uma solução fácil. Pais que procuram esse tipo de solução provam que o problema são eles, e não os filhos. Os filhos nunca são o problema. O grande e maior problema (vício em drogas, alcoolismo, violência juvenil, acidentes de carro, comportamento de risco, doenças novas como obesidade infantil ou déficit de atenção, entre outros) não está nos filhos, nas crianças ou nos adolescentes. Estão nos pais.
11-É possível impor limites sem ser chato?
Aquele que impõe limites não recebe sorrisos nem aplausos, mas assume responsabilidades e logo colherá frutos.
O senhor afirma que o amor é uma construção. O senhor acredita em amor incondicional?
Como bem dizia Alice Miller, uma extraordinária psicóloga suíça que morreu no ano passado, aos 83 anos, e era uma grande defensora dos filhos, o único amor incondicional que existe é dos filhos para os pais. As crianças precisam muito mais dos pais: para crescer, ser guiadas, ter proteção, ser alimentadas, receber valores e, sobretudo, ser amadas. Os filhos não precisam provar seu amor aos pais, mas se os pais amam seus filhos devem dar a eles provas desse amor, acompanhando seu crescimento, transmitindo-lhes valores, colocando limites, frustrando quando necessário, oferecendo um modelo de vida que faça sentido. Sem isso, o amor será apenas palavras.
terça-feira, 15 de maio de 2012
Mãe desnecessária
A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase e ela sempre me soou estranha.
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso.
Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara. Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso. Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.
A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.
O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
Marcia Neder ( Psicanalista, Pós-doutora e doutora em Psicologia Clínica pela PUC-S.Paulo)
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Um guia completo para as férias de verão

Manual de filhos diz: sigam esse link para dicas incríveis (http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/dicas-ferias-409153.shtml)
Férias. Para as crianças, é um dos períodos de descanso do ano. Agora é esquecer um pouco a escola e só pegar em cadernos daqui a um mês. Essa mamata toda, porém, assusta um pouco os pais. O que fazer com os pimpolhos em todo o tempo livre? A preocupação é justificada, mas a boa notícia é que existem, sim, diversas formas interessantes de entreter a garotada e, de bônus, ainda reforçar os laços familiares. Só é preciso um pouco de dedicação, isto é, nada de largar a tarefa para o playground do prédio e os fiéis companheiros eletrônicos - videogame, TV e computador.
"O segredo é não encher a criança de compromissos e, ao mesmo tempo, também não a deixar totalmente desorientada", aconselha a psicopedagoga Tânia Ramos Fortuna. O ideal, portanto, seria programar viagens, passeios culturais, visitas aos amiguinhos e afins, mas sem lotar os dias de seu filho a ponto de nunca deixá-lo sozinho e livre para escolher o que quer fazer. "As crianças não são senhoras de seu tempo e, hoje, acabam às vezes escravizadas até pelo prazer, com tantas idas a lanchonetes, cinema e festinhas. Os pais podem e devem co-responsabilizar os filhos por suas férias, perguntando a eles o que querem fazer", complementa Tânia, que é coordenadora do curso de extensão "Quem quer brincar?", da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
O equilíbrio também é bem-vindo na seleção de atividades. Dias de chuva pedem brincadeiras indoor? Pois nos dias de sol não deixe de ir andar de bicicleta no parque. Vão viajar em família? Invente jogos coletivos, que podem ser muito divertidos - mas, na volta, deixe a criança um pouco isolada, para que tire proveito também da introspecção e de sua própria imaginação.
Quer dicas mais específicas? O Educar para Crescer conversou com especialistas e reuniu sugestões exclusivas para as férias de seus filhos. Aproveite!
1) Diversão em família: As férias são uma boa oportunidade de a criança conviver com os parentes e ter novas experiências e aprendizados
2) Diversão na vizinhança: Nada de TV, as crianças podem aprender muito mais nas férias ao explorar a vizinhança
3) Diversão com seus filhos: Sugestões de atividades e brincadeiras para aproximar você de seus filhos
4) Diversão com os livros: Como fazer com que os livros também façam parte das férias sem que a leitura se torne tarefa chata
5) Diversão à moda antiga: Esconde-esconde, corre-cotia, passa-anel... Lembra as brincadeiras da sua infância? Elas são ótimas para tirar as crianças da frente da TV!
6) 10 brinquedos eletrônicos que as crianças adoram: De laptop infantil a globo interativo, de sudoku a minimesa de música: idéias para fazer a alegria da garotada
7) 10 brinquedos que você pode fazer: Pipa, cinco marias, pé de lata... como fazer brinquedos artesanais para as crianças
8) Como aprender em Viagens: dicas para transformar uma viagem em diversão e aprendizado em família
9) 14 dicas para aproveitar uma visita ao zoológico: Descubra como você pode fazer seu filho se divertir e aprender sobre meio ambiente no zoológico
10) 10 maneiras de aproveitar um dia no parque ou na praça: Dicas espertas para quem vai passar as férias com as crianças em sua própria cidade
11) Guia para levar as crianças ao teatro: Um guia completo para você e seu filho se divertirem e aprenderem antes, durante e depois do espetáculo
13) 8 dicas para aproveitar uma ida a um centro histórico: Saiba como juntar diversão e conhecimento em um passeio pra lá de educativo em sua própria cidade
14) 7 dicas para aproveitar uma ida ao planetário: Olhar o céu - ou uma projeção dele - pode ser uma experiência ótima para ter com os filhos
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Como falar de Papai Noel?

O Natal, uma das festas mais comemoradas em todo o mundo, está chegando. É época de esbarrar com Papai Noel em ruas, lojas, shoppings, restaurantes. O que não é nada mal, já que ver os filhos felizes é um dos maiores prazeres de pais e mães. Mas estimular a fantasia é saudável para o desenvolvimento dos pequenos? "Incentivar a crença no Papai Noel é absolutamente saudável. Mais do que isso: é imprescindível! Toda criança merece viver o encantamento do Natal", garante a psicoterapeuta e contadora de histórias Alessandra Giordano, de São Paulo.
Ninguém deve tirar de uma criança a capacidade de fantasiar. De acordo com os especialistas, o papel dos pais é, ao contrário, facilitar o mundo da imaginação para os pequenos, oferecendo-lhes todas as possibilidades de sonho e fantasia. "O Papai Noel é, sem dúvida, uma das recordações mais bonitas que trazemos da infância. E o que fica registrado em nosso inconsciente não é só a figura do entregador de presentes, pois o Papai Noel representa muito mais do que isso. O velhinho barbudo e simpático é o valor da família, da fraternidade e da bondade. E é também o respeito ao idoso", defende Rosana Zanella, psicóloga e professora do Instituto Sedes Sapientiae e da FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas), de São Paulo.
Além de proporcionar uma infância mais feliz e cheia de imaginação, o Papai Noel também oferece outras representações simbólicas. "É ele que vai se esforçar para atender aos nossos desejos. A ideia de que vamos encontrar bons velhinhos ao longo da vida é o que nos ajuda a aguentar o 'tranco'. É o que chamamos de fé na vida", diz Carolina Scheuer, psicóloga especialista em psicanálise da criança.
Ela afirma que as figuras mitológicas criadas na infância são fundamentais durante todo o nosso percurso. "De modo geral, a realidade é uma coisa difícil de ser digerida sem 'amortecimento', na infância e na vida adulta." É claro que adultos e crianças lidam com a fantasia de maneiras completamente diferentes, mas todos, em algum grau, precisam dela para dar conta de suas angústias e ansiedades. "É pela via do imaginário e da fantasia que conseguimos elaborar nossas questões afetivas e isso começa na infância", afirma Carolina.
Muitos pais têm dúvidas sobre o que dizer aos filhos a respeito do Papai Noel. Diante desse dilema, a psicanalista austríaca Melanie Klein (1882-1960) experimentou negar a fantasia aos seus rebentos. Ela acreditava que a realidade deveria prevalecer em qualquer circunstância. Mas, certo dia, deparou-se com um pedido dos filhos: eles queriam se mudar para a casa da vizinha. Intrigada, perguntou o motivo e encontrou a resposta: é que lá existia Papai Noel. “O caso está registrado em uma das contribuições de Klein à psicanálise e mostra que a fantasia é intrínseca à criança, queiram os pais ou não”, avalia Carolina.
Manual de filhos diz: vale à pena dar uma olhada no site para mais artigos sobre o assunto: http://educarparacrescer.abril.com.br/comportamento/papai-noel-611584.shtml
Fonte: REvista Educar para Crescer
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Os oito obstáculos da corrida matinal das mães

Seu filho enrola para tomar café e nunca se veste a tempo? Saiba como driblar os obstáculos mais comuns das manhãs e dê adeus ao atraso.
Quem nunca se atrasou ao sair de casa por causa dos filhos? Sempre tem uma desculpa básica para aqueles cinco, 10, 15 minutinhos ou até mesmo meia-hora. E geralmente esta desculpa é real: crianças costumam dar motivos para o atraso. Mas se a situação tem sido recorrente, alguma coisa está errada. É hora de avaliar os obstáculos mais comuns e aprender a contorná-los para vencer a corrida matinal diária e alcançar a rua com seu filho no tempo certo.
Primeiro obstáculo: sair da cama
Se para os adultos já é difícil levantar, imagina para as crianças, que não têm ideia da importância da pontualidade nos compromissos? Mas há uma tática capaz de tornar o despertar menos impactante: se a criança deve se levantar às 8 horas, comece a despertá-la 10 minutos antes das oito. “Alice adora tirar uma soneca, então vou chamando calmamente. E, antes de tomar meu banho, aviso a ela que, quando acabar, quero ela fora da cama. Coloco a televisão em um desenho e crio um ambiente propício para ela acordar bem”, explica a personal organizer Verônica Cavalcanti, idealizadora do Ateliê Ordenar e mãe solteira dos gêmeos Alice e Daniel, de seis anos.
Segundo obstáculo: vestir a criança
“O motivo maior dos atrasos em casa é porque minhas filhas sempre acham que o look não está bom. Quando já estão prontas, uma delas - ou as duas - resolvem que não é bem aquilo que querem usar e começam a birra, recusando-se a sair de casa”, conta a designer Priscilla Perlatti, do site Mamatraca, mãe da Stella, de 6 anos, e Lia, de 4. Para não passar por estas situações, deixe uma ou duas combinações de roupa escolhidas na noite anterior. De manhã, a criança pode escolher qual das duas prefere. Para não errar na escolha, cheque um site de previsão do tempo. E tenha um plano B para o caso de mudança de tempo.
Terceiro obstáculo: tomar café
O café da manhã é uma refeição chave para as crianças, pois fornece energia para encarar o dia. Na noite anterior, deixe os ingredientes secos – como cereais ou pães – sobre a mesa. Iogurtes e itens refrigerados podem ficar sempre em um mesmo compartimento da geladeira, facilitando a colocação da mesa. A psicóloga Solange Wertman, do Nutry Psy, sugere às mães não demonstrar ansiedade para que as crianças comam. “Ao perceber esta ansiedade da mãe, ela pode enrolar para manipulá-la. Procure manter a calma e não demonstre o seu sentimento”, recomenda. Enquanto seu filhote toma o café, aproveite para fazer outra atividade, como o check list do que é preciso levar com você. Depois, certifique-se de que ele se alimentou direitinho.
Quarto obstáculo: o mau-humor matinal
É natural as crianças acordarem mal-humoradas. Uma dica para contornar o problema é dar a mamadeira dormindo. “Dou a mamadeira antes mesmo de falar com ele. Tomando o leite, ele é incapaz de fazer birra, então aproveito pra correr com a troca de roupa”, afirma a recepcionista bilíngue Irina Câmara, mãe de João Luccas, 1 ano e 10 meses. Quando as crianças são maiores, vale a pena criar uma rotina. Conte uma historinha, dizendo que dia da semana é e quais as atividades do dia. E, se o diálogo não surtir efeito, como último recurso, ligue a TV em um desenho animado que ele goste.
Quinto obstáculo: dar remédio
A dose matinal do remédio pode ser a mais difícil de ser administrada. Criança já não gosta de tomar remédio e, quando o faz de má vontade, acaba sujando a roupinha. E lá se vão mais preciosos minutos no cronômetro matinal. Para ajudar nesta missão, dê os remédios com a ajuda de uma seringa, respingados na lateral da boca, próximo ao meio da língua. Se o remédio for direto para o centro do palato, pode causar náusea e fazer a criança expelir o líquido. Quando possível, disfarce o gosto ruim do remédio com sucos. Mas este é um último recurso.
Sexto obstáculo: lidar com os esquecimentos
Você já está na metade do caminho da escolinha quando se lembra da cartolina que deveria mandar para a aula de artes ou, pior, deixou em casa seu próprio celular, carregando. Sugestão: faça uma lista, à mão ou no computador, e deixe colada em local visível, como na porta de entrada ou em um quadro de avisos perto de onde ficam as chaves. Inclua na lista todos os itens que não podem ser esquecidos, o que deve ir na mochila da criança e as coisas a fazer antes de sair de casa. E, claro, crie o hábito de verificar este “check list” sempre antes de sair de casa.
Sétimo obstáculo: os imprevistos
Qualquer semelhança com a Lei de Murphy não é mera coincidência. O bebê está com a roupa limpinha, já no corredor à espera do elevador, quando você escuta um barulhinho seguindo de um cheiro nada agradável. Inconfundível. Com crianças maiores, o imprevisto é de outra natureza: o suco é atraído feito um ímã para a camiseta. “Para as mães de bebês pequenos, os imprevistos são o motivo número um dos atrasos. Uma fralda cheia não tem hora nem lugar para acontecer”, afirma Priscilla, mãe da Stella e da Lia. Nesses casos, não tem jeito: tem que parar tudo e trocá-lo o quanto antes. Por isso, manter os apetrechos de troca organizados e sempre à mão vão, ao menos, minimizar o atraso.
Oitavo obstáculo: o trânsito
Muitos impedimentos podem acontecer no caminho para a escola. Escolha uma escola que esteja no caminho do seu trabalho. Se você usa carro, pesquise caminhos alternativos
para evitar o trânsito. Se for a pé até a escolinha antes de pegar o ônibus para o trabalho ou outro compromisso, prefira usar sapatos confortáveis. Leve o salto na bolsa para calçar depois de deixar a criança ou quando chegar ao trabalho. “Moramos perto da escolinha. Levo 20 minutos para deixar Alice e chegar ao ponto de ônibus. Dificilmente uso sapatos de salto alto, o que dificultaria muito minhas caminhadas rua afora”, diz Roberta Ribeiro, advogada, mãe de Alice, dois anos e meio.
Fonte: Flávia Werlang, especial para o iG São Paulo |
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
O poder construtivo do não

Como é difícil acreditar que o procedimento de poda é necessário para que a árvore cresça forte e saudável! Quando nos colocamos a cortar aqueles galhos verdes e viçosos, resistimos, como se algum dano estivéssemos causando à planta, como se a estivéssemos machucando. Ao educar as nossas crianças, nos deparamos com situação semelhante. Sabemos que dizer o não é preciso e necessário, mas por vezes o amor é tanto, o desejo de que aquele pequeno seja feliz é tão forte, que cedemos o que não poderíamos ceder, deixamos o que não deveríamos deixar.
Só quem é mãe ou pai sabe o quanto exige dizer não para um filho. Por isso precisamos nos armar com a consciência do poder construtivo do não, e do quanto este não que aplicamos na educação dos nossos filhos irá plantar a semente da felicidade que tanto desejamos para o seu futuro. Não se trata, porém, de um não indiscriminado, usado como uma técnica ou uma regra educacional. A pedagogia do não prega a presença e a força como base que fundamenta toda prática educativa. Para que possamos criar nossos filhos saudáveis e fortes, precisamos primeiramente apresentar estas condições em nossas próprias vidas.
Não podemos mais tomar o caminho mais fácil por mais que as justificativas para tal estejam sempre ao nosso alcance. Nos justificamos pelo excesso de trabalho, pelo pouco tempo que temos com eles. Quantas vezes nos baseamos nestas desculpas para deixar o não de lado e priorizar o sim, quando sabemos que negar é o certo e o melhor que deveríamos fazer.
Visando o desenvolvimento dos pequenos
Mas falar que devemos dizer não é fácil, por isso é preciso que tenhamos a ousadia de olhar a raiz desta situação, que se encontra na distorção dos valores de uma sociedade. O valor no prazer, na alegria fácil, no imediatismo, no materialismo exagerado, priva da força essencial um ser em desenvolvimento. O não só tem sentido quando os valores estão no fortalecimento e na confiança plena na capacidade de um ser humano. Precisamos assumir nosso papel como educadores, e o não é um instrumento primordial deste trabalho a que nos propomos quando estamos diante de uma criança. Não podemos jamais fugir a esta responsabilidade, pois dela depende não só o futuro dos nossos filhos, mas de toda humanidade.
Pense muito bem antes de dizer um não, pois quanto mais nova a criança, mais grave é reconsiderar uma negativa.
Dicas para conseguir impor limites na educação dos filhos
Confie na natureza do seu filho, ele é mais forte e mais capaz do que você imagina, por isso não dramatize tanto o fato de ter que privá-lo de alguma coisa.
Dizer não com convicção e consciência do seu papel de educador é a principal ferramenta de um pai para a formação do caráter do seu filho.
Comece a perceber que negar o que precisa ser negado para o seu filho, é contribuir para o seu futuro, e para a sua felicidade.
Não se sinta culpado por negar algo a seu filho, pois o que ele precisa realmente é da sua força de pai, e não de todas os brinquedos e bugigangas do mercado.
Fonte:Mariliz Vargas
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Mãe desnecessária
MÃE (DESNECESSÁRIA) - Marcia Neder
A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha.
Até agora. Agora, quando minha filha de quase 18 anos começa a dar voos-solo.
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que
significa isso.
Ser 'desnecessária' é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado,o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser 'desnecessários', nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
"Dê a quem você Ama :
- Asas para voar...
- Raízes para voltar...
- Motivos para ficar... " - Dalai Lama
A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha.
Até agora. Agora, quando minha filha de quase 18 anos começa a dar voos-solo.
Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que
significa isso.
Ser 'desnecessária' é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado,o conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser 'desnecessários', nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.
"Dê a quem você Ama :
- Asas para voar...
- Raízes para voltar...
- Motivos para ficar... " - Dalai Lama
sábado, 8 de outubro de 2011
Pais tendem a achar que há algo errado com seus filhos, mas não há", diz autor de guia sobre adolescentes

aulo César Pinho Ribeiro, um dos autores do livro Filhos – Adolescentes de 10 a 20 anos de idade, da Sociedade Brasileira de Pediatria, trabalha há 22 anos como especialista em medicina da adolescência. Em seu consultório, escuta preocupações bastante variadas dos pais, que vão desde o consumo de substâncias ilícitas até o medo relacionado à sexualidade dos filhos. Em entrevista ao site de VEJA, diz que a aproximação dos jovens e seus pais é essencial para um crescimento saudável e sem desvios para comportamentos de risco, e que muitas vezes os pais inquietam-se sem razão.
Qual a importância do livro? Este é o primeiro que abrange questões de saúde e comportamento com linguagem simples e lançado pela Sociedade Brasileira de Pediatria. Há muita coisa que ocorre no período da adolescência que faz com que os pais achem que há algo errado ou patológico. Mas que na verdade, do ponto de vista médico, não há. Eles acham, por exemplo, estranho que seus filhos valorizem demais a turma, que tenham mudanças bruscas de humor, que questionem alguns aspectos da vida, que detestem — sem motivo aparente — a família. Tudo isso é comum. Há também muitas dúvidas em relação à sexualidade. Por isso, é importante passar essas informações aos pais através de um livro.
Por que é importante ir ao médico nessa idade? Somente 42% dos adolescentes são vacinados. É preciso ampliar este número e não podemos deixar essa questão nas mãos dos próprios jovens. Da mesma forma que os pais têm cuidado com os filhos pequenos, eles precisam ter com os adolescentes. O problema é que eles nem vão ao médico. Nessa idade, quase não têm mais febres, cólicas, etc. Somente 30% das queixas são relacionadas à saúde física, o restante de 70% são queixas psicossociais, que precisam ser discutidas e orientadas pelo médico.
A pediatria está muito ligada à prevenção. Como o pediatra ajuda os jovens nesse sentido? Em vários quesitos, desde orientações comportamentais, evitando comportamentos de risco, como também na prevenção da obesidade, por exemplo. Uma pesquisa feita com 29.000 crianças entre 9 e 16 anos mostrou que quase 50% deles tinha colesterol alto. Se fosse feito um trabalho preventivo, poderia ser diferente. É preciso explicar qual alimento vai deixar o colesterol ruim e qual a importância de deixar o sedentarismo. Tudo isso é muito importante.
O livro cita a síndrome da adolescência normal (veja quadro ao lado). Como os pais podem identificar se esse comportamento ultrapassa o limite e se torna preocupante? Se um jovem chegar em casa e quiser ficar sozinho um pouco, é normal. É uma fase em que eles precisam viver o momento de intimidade. Agora, uma pessoa que faz isso, mas abandona todos os hábitos de rotina, pode ter problemas. Se o desejo de ficar sozinho reflete no cuidado que o adolescente tem consigo mesmo ou no desempenhos escolar, é preciso se preocupar. A agressividade também é comum nessa fase. É até importante para crescer e vencer as dificuldades. Agora, uma pessoa que é sempre agressiva, bate nos irmãos, ou é cruel com os animais, pode ter distúrbios de comportamento.
Como os pais devem se aproximar dos filhos? Antes de ser melhor amigo, o pai tem que ser pai. É preciso exercer a autoridade primeiro e depois ser melhor amigo. Ele deve dizer 'não' quando for necessário e 'sim' quando for possível. Para temas como a sexualidade, os filhos costumam ser resistentes em conversar sobre o assunto com seus pais. Por causa disso, muitas vezes os pais deixam de levá-los ao médico, que, em alguns casos, seria o melhor profissional para falar disso.
O livro também trata da homossexualidade. Essa é uma preocupação dos pais? É uma grande preocupação. No livro, deixamos claro que não é possível caracterizar alguém como homossexual por conta da escolha de roupas ou acessórios. A forma como o jovem se veste às vezes está muito mais ligada a tribos. Agora, se houver um interesse por pessoa do mesmo sexo, ninguém poderá mudar isso. É importante que haja um acompanhamento do médico e às vezes do psicólogo para ajudar nos conflitos que podem surgir a partir disso. E para evitar que a criança sofra com rótulos.
Quais mitos são abordados no livro? Falamos sobre as substâncias esteroides, que dizem melhorar o desempenho do atleta. Nós não aconselhamos o uso, que pode trazer diversas conseqüências. Os pais também tem muitas dúvidas sobre a gravidez, a partir de que idade ela pode ocorrer. Também acreditam em mitos sobre a relação da masturbação e o aparecimento de espinhas, por exemplo.
Em resumo, que dicas o senhor daria para os pais passarem tranquilamente por essa fase? Um grande conselho é investir no diálogo. É preciso levar em conta tudo que o seu filho está dizendo. Muitos pais com filhos nesse período têm dificuldades em entender e passar por esse processo. E isso ocorre porque muitas vezes não são bem orientados.
domingo, 25 de setembro de 2011
Videogame a favor do seu filho

Apesar de sempre gerar polêmica, os games podem ser uma diversão saudável. O segredo está no controle dos pais, que precisam estar atentos com o que os filhos se divertem.
Jogos de videogame sempre geram polêmica entre os pais. Afinal, fazem bem ou mal para as crianças? Para a psicóloga Andréa Jotta Nolf, do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática (NPPI) da PUC-SP, as crianças de hoje não conhecem o mundo sem tecnologia. Portanto, não seria possível privá-las do videogame.
A questão está no limite desta exposição. “Apesar de ser uma atividade que entretém os pequenos por horas, os pais precisam regular o tempo da brincadeira. Até os 12 anos de idade, a criança não tem controle da intensidade de suas atividades. Então, cabe aos pais esse papel”, diz.
Como diz a psicóloga Prislaine Krodi, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, se praticado em excesso o videogame pode virar compulsão. E como perceber isso? “Se a criança não pede mais para ir ao parque, deixa de estudar, não se interessa por outras atividades ou não telefona mais para os amigos, é o momento de diminuir as horas de jogo”, diz.
Uma saída para o equilíbrio é oferecer mais opções de lazer dos filhos. Além de jogar videogame, eles devem ter outras formas de diversão, como a prática de esportes ou brincadeiras ao ar livre. Além disso, o game não pode atrapalhar a hora da lição ou do banho. “Os pais precisam criar regras e serem firmes na execução delas. Até pode ser atraente ter algumas horas de sossego, com o filho quietinho em frente à televisão ou computador, mas os combinados devem ser seguidos”, explica.
Em relação aos jogos violentos, Andréa recomenda verificar a classificação indicativa. Caso seja permitido, a atividade pode funcionar como uma “válvula de escape” para a criança. “Esse tipo de game segue a mesma lógica das brincadeiras de mocinho e bandido. É uma forma de catarse”, afirma Andréa.
Prislaine Krodi diz, ainda, que no caso dos games violentos, a atenção deve ser maior com os menores de 7 anos. “Até essa idade, aproximadamente, a criança não separa muito bem a fantasia da realidade”, diz. Uma solução é explicar a diferença do que acontece no jogo e na vida real e, se possível, incentivá-lo a brincar com outro game. “Os pais precisam saber o que o filho está jogando, discutir o que acontece na tela e oferecer outras opções”, afirma Prislaine.
Fonte: REvista Crescer
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Tão longe, tão perto- Rosely Sayão
Tão longe, tão perto
Os pais nunca declararam amar tanto os filhos quanto agora. Eles fazem tudo o que podem e o que às vezes nem devem porque, por amarem tanto os filhos, não suportam vê-los sofrer. Esforçam-se para dar a eles o melhor da vida porque querem que os filhos tenham tudo o que eles próprios, quando crianças, não tiveram.
Estabelecem com os filhos um relacionamento aberto, íntimo e amigável porque não querem ser autoritários e distantes como foram seus pais. Enfim: os pais estão, hoje, apaixonados pelos filhos.
É compreensível: em um mundo no qual os laços afetivos entre os adultos estão sempre por um fio e se desfazem por qualquer bobagem, o clima de insegurança afetiva provoca novas buscas. Como a união com os filhos é a única que, atualmente, só a morte dissolve, ela tem servido como o porto seguro afetivo dos pais.
Para ter idéia de quão longe isso vai: uma diretora de escola de educação infantil no interior de São Paulo contou-me que, no Dia dos Namorados, vários ramalhetes de flores enviados pelos pais às filhas chegaram à escola. O problema está nas contradições que esse amor declarado tem apresentado.
Os pais que adoram tanto seus filhos contratam babás para ficar com eles diuturnamente, inclusive domingos e feriados. Vemos pais cujos filhos estão segurando nas mãos da babá ou no colo desta nos shoppings, nos cabeleireiros, nos consultórios, em hotéis, restaurantes etc. E ter babá dá muito trabalho! É seleção, busca de referências, treinamento e depois, se surgirem desconfianças, instalação de câmeras etc.
Mães e pais que dizem amar seus filhos sem medida fazem com que novos negócios prosperem em tempos de recessão.
Os pais vão a um casamento com os filhos? Não há problema. Os noivos contratam empresas de recreação que ficam o tempo todo com as crianças, para que os pais "curtam a festa sem restrições". Nas férias, os hotéis precisam ter uma equipe de monitores que, além de entreter as crianças, também almoça e janta com elas.
Por falar em férias, acampamentos para crianças rendem no período. Até pouco tempo atrás, eles recebiam só adolescentes. A demanda dos pais fez com que proliferassem locais que recebem crianças pequenas: os pais já podem mandar seus filhos a partir dos quatro anos (!) para uma temporada fora, com direito a "espiar" pela internet como eles se divertem!
Quando o filho faz aniversário e os pais querem demonstrar todo seu amor dando uma megafesta, sem problemas: contratam um bufê que cuida de tudo. E a escola, para ajudar, recebe autorizações de saída e organiza os convidados para colocá-los no ônibus que os leva da escola para o evento.
A falta de tempo dos pais tem sido usada para explicar tantas buscas de recursos. Mas esse estilo tem muito mais a ver com a nossa cultura. Amor demais sufoca e idealiza. Pode ser por isso que os pais apresentem tanta contradição: amam tanto a idéia de ter o filho que precisam ficar longe dele para, talvez, não perderem o filho que imaginam ou gostariam de ter.
Fonte: Rosely Sayão
Os pais nunca declararam amar tanto os filhos quanto agora. Eles fazem tudo o que podem e o que às vezes nem devem porque, por amarem tanto os filhos, não suportam vê-los sofrer. Esforçam-se para dar a eles o melhor da vida porque querem que os filhos tenham tudo o que eles próprios, quando crianças, não tiveram.
Estabelecem com os filhos um relacionamento aberto, íntimo e amigável porque não querem ser autoritários e distantes como foram seus pais. Enfim: os pais estão, hoje, apaixonados pelos filhos.
É compreensível: em um mundo no qual os laços afetivos entre os adultos estão sempre por um fio e se desfazem por qualquer bobagem, o clima de insegurança afetiva provoca novas buscas. Como a união com os filhos é a única que, atualmente, só a morte dissolve, ela tem servido como o porto seguro afetivo dos pais.
Para ter idéia de quão longe isso vai: uma diretora de escola de educação infantil no interior de São Paulo contou-me que, no Dia dos Namorados, vários ramalhetes de flores enviados pelos pais às filhas chegaram à escola. O problema está nas contradições que esse amor declarado tem apresentado.
Os pais que adoram tanto seus filhos contratam babás para ficar com eles diuturnamente, inclusive domingos e feriados. Vemos pais cujos filhos estão segurando nas mãos da babá ou no colo desta nos shoppings, nos cabeleireiros, nos consultórios, em hotéis, restaurantes etc. E ter babá dá muito trabalho! É seleção, busca de referências, treinamento e depois, se surgirem desconfianças, instalação de câmeras etc.
Mães e pais que dizem amar seus filhos sem medida fazem com que novos negócios prosperem em tempos de recessão.
Os pais vão a um casamento com os filhos? Não há problema. Os noivos contratam empresas de recreação que ficam o tempo todo com as crianças, para que os pais "curtam a festa sem restrições". Nas férias, os hotéis precisam ter uma equipe de monitores que, além de entreter as crianças, também almoça e janta com elas.
Por falar em férias, acampamentos para crianças rendem no período. Até pouco tempo atrás, eles recebiam só adolescentes. A demanda dos pais fez com que proliferassem locais que recebem crianças pequenas: os pais já podem mandar seus filhos a partir dos quatro anos (!) para uma temporada fora, com direito a "espiar" pela internet como eles se divertem!
Quando o filho faz aniversário e os pais querem demonstrar todo seu amor dando uma megafesta, sem problemas: contratam um bufê que cuida de tudo. E a escola, para ajudar, recebe autorizações de saída e organiza os convidados para colocá-los no ônibus que os leva da escola para o evento.
A falta de tempo dos pais tem sido usada para explicar tantas buscas de recursos. Mas esse estilo tem muito mais a ver com a nossa cultura. Amor demais sufoca e idealiza. Pode ser por isso que os pais apresentem tanta contradição: amam tanto a idéia de ter o filho que precisam ficar longe dele para, talvez, não perderem o filho que imaginam ou gostariam de ter.
Fonte: Rosely Sayão
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Como lidar com as mentiras das crianças

Recebi o texto de uma amiga como sugestão de postagem.
Os pais ficam de cabelo em pé quando percebem que seu filho está mentindo. Bronca, castigo, conversar ou dar umas boas palmadas no bumbum... qual seria a melhor reação dos pais quando descobrem uma mentira contada pela criatura que pensam ser a mais ingênua de todas?
De início devemos saber que crianças de até cinco anos de idade não conseguem separar a fantasia do real. A imaginação faz parte do desenvolvimento normal da criança e é base para o pensamento lógico que o adulto tem. Mas com o passar dos anos, a fantasia dá lugar à noção de realidade, sem desaparecer totalmente.
A partir dos seis anos a criança ainda brinca com a sua imaginação e cria situações que não são reais, mas as invenções já são bem menores. A mentira torna-se intencional a partir dos sete anos, onde a criança já adquiriu noções de valores sociais e sabe exatamente a diferença da verdade e da mentira.
Normalmente, as crianças maiores mentem por temer repreensões e castigos, para fugir das suas responsabilidades, chamar a atenção dos pais ou melhorar a auto-estima.
Malandrinho - Uma criança vai mentir que está doente para não ir à escola, inventa que tem milhares de amigos no Orkut ou que fez viagem maravilhosa com os pais no fim de semana simplesmente para não ficar "por baixo" dos amiguinhos.
Mesmo que a criança ainda não saiba diferenciar a fantasia do real, desde pequena os pais devem lhe mostrar o que é mentira e o que é fantasia nas histórias dos pequenos.
Se a criança na fase pré-escolar traz um material escolar estranho e diz que a amiguinha lhe deu de presente, confirme se a história é real. Se não, diga à criança que aquilo não é seu e que não lhe foi dado, fazendo-a devolver para a colega. A criança inventou uma história, mas ainda não sabe distinguir o real da fantasia, mas a verdade precisa ser mostrada.
De pai para filho - Outros motivos que podem levar as crianças a mentirem é o exemplo dos pais. Se os pais mentem pedindo para o filho dizer que não está quando o telefone toca ou são tolerantes quando o pequeno mente, a criança poderá achar natural mentir e fica sujeito a fazer isso.
Se tiver dúvida sobre a história da criança, não insista, peça que conte a história horas mais tarde e compare as versões ou faça perguntas amplas como: "O que aconteceu na escola?" em vez de "Te bateram na escola?".
A criança deve sentir que ao contar a verdade terá a admiração dos pais, professores e amigos e que a mentira "tem perna curta" e logo será descoberta e desaprovada pelos mesmos.
Broncas severas ou castigos podem levar a criança mentir mais vezes para não receber novamente esse tipo de punição. Mostrar os benefícios da verdade e os prejuízos que mentira traz para a própria criança e para as outras pessoas é o melhor caminho.
Quando o comportamento mentiroso é muito freqüente ou se estende muito além dos sete anos, uma ajuda profissional deverá ser procurada.
Dicas
Mentiras freqüentes sobre um mesmo assunto podem expor uma angústia da criança. Será que alguém gosta de ser chamado de Pinóquio?
Interrogatórios insistentes e pressão em gritos não levarão a criança a dizer a verdade. Pode ter efeito contrário.
A fantasia faz parte do desenvolvimento da criança. Estimule a criança de forma saudável e criativa.
Fonte: site guia do bebê.
domingo, 17 de abril de 2011
Bullying

“Girafa”, “vovó sem dente”, “substantivo abstrato”, “cafona”, “desdentada”, “feia”, “piolho”... Estes foram os apelidos nada delicados que F.G.C.S, de 21 anos, recebeu durante toda a infância e adolescência, nos colégios pelos quais passou. Não era uma brincadeira inocente.
— Os ataques começaram quando eu tinha 4 anos e se prolongaram. Hoje, sofro de síndrome do pânico e vi minha vida destruída por pessoas sem coração — desabafa F.
Casos como os dela proliferam no mundo. Se o comportamento de alguém ou de um grupo agride, verbal ou fisicamente, de forma insistente, isso se chama bullying. O termo tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato.
A prática é a que mais cresce no mundo e preocupa autoridades, pais e professores.
— As vítimas de bullying, normalmente, são aquelas fora dos padrões de beleza impostos por um grupo ou sociedade — explica a psicóloga Maria Tereza Maldonado, autora do livro “Bullying e Cyberbullying — O que fazemos com o que fazem conosco?”.
Maria Tereza deixa claro em sua pesquisa que existem três grupos: os agressores, as vítimas e os espectadores do bullying. E ressalta que uma vítima pode ser também um praticante:
— É como se ele precisasse descontar em outro. Comumente, a vítima também oprime alguém, reproduz o comportamento do agressor. Não é útil ver a vítima como totalmente frágil e o autor totalmente “fortão”.
Sinais de alerta
Mas como saber se seu filho ou aluno está inserido num dos grupos de bullying e não pensar que o assunto é frescura ou uma brincadeira de criança?
— Medo de ir à escola, material escolar destruído ou rasgado, dinheiro ou merenda roubada constantemente, enjoos e dores de cabeça nas horas que antecedem a ida para o colégio ou a queixa destes sintomas antes da hora da saída ou do recreio, queda no rendimento escolar e vontade de mudar de escola. Se seu filho tem algum destes sintomas, fique atento — diz o educador Gustavo Teixeira, em seu livro “Manual antibullying”.
A prática pode estar em casa
Para o ator e autor Mar’Junior, de 50 anos, da Cia Atores de Mar, o bullying começou na própria casa. O pai, um homem autoritário e intolerante, frequentemente chamava o filho de burro. A insistência era tanta que Mar’Junior repetiu os primeiros anos primário, ginasial e científico.
— Tinha pavor de fazer prova, aquilo era um sofrimento para mim. Mesmo adulto, dirigi anos sem carteira de motorista porque tinha ataques de ansiedade com a prova. Testes em emissoras de TV também nem pensar — descreve ele, que hoje tenta ajudar crianças e jovens que passam por situação semelhante levando às escolas o espetáculo "Bullying": — Fazemos uma abordagem do assunto através de esquetes. A peça dura 30 minutos e ao final sempre promovemos um debate com os estudantes. O fato é que as pessoas não estão preparadas para lidar com essa onda de violência, que muitas vezes pode parecer apenas uma brincadeira não muito inocente.
O dia do revide
De tanto sofrer com as agressões em casa, Mar’Junior também foi uma vítima na rua. Cansou de apanhar dos "colegas", até o dia do revide. Quando bateu em alguém, tornou-se um agressor. Formou uma espécie de bando e aterrorizou outros meninos que considerava "fracotes".
— Quem sofre o bullying, em algum momento, tenta descontar essa raiva contida, o que está errado. Só com diálogo é possível mudar este cenário. Os pais têm que ser mais parceiros de seus filhos, ouvi-los, compreendê-los e estabelecer limites — aconselha ele, pai de duas meninas na faixa de 20 anos.
Tanto Maria Tereza Maldonado quanto Mar’Junior são enfáticos ao dizer que mesmo tendo sofrido bullying, Wellington Menezes de Oliveira não causou o massacre de Realengo por conta disso, mas sim por problemas psicológicos. Mas alertam que as marcas dessa prática são para a vida toda quando não percebidas ou tratadas.
— O bullying está em todas. Nas escolas públicas e particulares. É preciso que haja empenho para desenvoler um programa antibullying. E a melhor forma é reestabelecer o respeito que tem que haver entre seres humanos — ensina Mar’Junior.
Fonte: Jornal Extra
domingo, 20 de março de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
Como falar de morte com seu filho?

Siobhán é uma garota que vive em um casarão em Dublin, Irlanda, com seu pai. Sua mãe morreu quando ela tinha apenas três anos e, agora, a menina está se esquecendo da fisionomia dela...”Já havia procurado em todos os cantos da casa. Encontrou velhos livros da mãe, uma echarpe e um par de extravagantes sapatos verdes, mas nenhuma fotografia”.
Esse é um trecho de É a Cara da Mãe (Galerinha Record), livro de Roddy Doyle que aborda um tema nada fácil de abordar com as crianças: a morte. Como afirma o próprio autor, ele partiu de uma experiência de sua mãe para escrever esse livro. “Minha avó morreu quando minha mãe tinha a mesma idade da personagem. Eu cresci sabendo disso, até que resolvi escrever essa história”, diz. A dificuldade em falar sobre o tema, inclusive, é retratada na história, por meio do silêncio do pai de Siobhán, “um sujeito legal, mas meio parado e muito triste”, que não gostava de conversar. E que nunca disse à garota uma palavra sobre sua mãe. “Na verdade, ninguém jamais falou sobre a mãe com Siobhán”. Cabe à garota, portanto, encontrar um jeito próprio de não se esquecer...
Quando chega o momento de falar sobre morte com as crianças, os pais se enchem de dúvidas: devo contar que o avô está muito doente e pode morrer? Como explicar o que é uma perda como essa? Como diz Cristina Mendes Gigliotti, psicóloga clínica do Hospital M´Boi Mirim, em São Paulo, a primeira atitude é contar a verdade. “É preciso explicar para a criança o que é a morte. Deve-se dizer que faz parte do ciclo da vida, que é inevitável”, afirma. Para ela, as explicações de que a pessoa “foi viajar” ou “foi passear” não são indicadas. “Quem viaja, geralmente volta. E a criança também pode pensar ‘por que ele não se despediu de mim?’”, diz. Aliás, isso também deve acontecer no caso de um bicho de estimação – situação em que, geralmente, a criança tem o primeiro contato com a perda. Aproveite a situação para já explicar sobre o ciclo da vida.
Mas, como explica Cristina, a melhor maneira de a criança entender o que é a perda é explicar de uma maneira lúdica. Você deve contar a verdade, mas à resposta para a tradicional pergunta “e para onde ele foi?”, vale usar a criatividade. “Muitas crianças acham que a pessoa virou uma estrela ou que foi para o céu...nessa hora, o simbolismo é fundamental”, afirma a psicóloga. Ou seja, a criança vai entender o que aconteceu à maneira dela.
O processo de luto, como diz Cristina, tem diversas fases. Assim como os adultos, as crianças passam por isso também. “Começa com a negação, passa por uma época de muitas perguntas, depois por uma tristeza profunda, e só então chega à aceitação”, diz. Portanto, se você está preocupada por seu filho estar mais agressivo ou mais isolado depois de uma perda, saiba que esse comportamento é normal. “Se, por exemplo, a criança chora à noite, antes de dormir, é algo natural nesse processo e até uma maneira de defesa”, diz. O alerta só vale em caso de exagero, quando a tristeza passa a atrapalhar o dia a dia.
Mais uma vez, e sempre, a conversa é o mais importante. Quando o caso é de alguém doente, a preparação deve começar ainda no leito do hospital (ou em casa). Em O Guarda-chuva do Vovô (editora DCL), livro de estreia de Carolina Moreyra na literatura infantil, a personagem principal, que também é uma garota, diz como percebeu que algo estava acontecendo com seu avô. “Um dia achei o vovô diferente e perguntei pro meu pai se ele estava encolhendo”.
Para a psicóloga Cristina, se o hospital permitir a entrada de crianças, elas devem, sim, visitar o doente. “É uma maneira de fechar um ciclo e de a criança vivenciar os últimos momentos com aquela pessoa querida”, diz. Os pais precisam, no entanto, tomar certos cuidados. “As visitas não devem atrapalhar a rotina e também não dá para voltar do hospital e deixar seu filho sozinho ou ocioso...é preciso conversar, explicar o que está acontecendo, e depois, propor alguma outra atividade. Os livros, desenhos e filmes são bons aliados nessas horas”, diz. O pai da garota de É a Cara da Mãe, apesar de não gostar de conversar, às vezes lia para ela. “Toda sexta-feira ele trazia um livro novo para casa. Quando percebia que a menina estava olhando para ele, o pai sorria...”.
Outra maneira de confortar a criança é definir um “objeto de amor”. Assim como os chamados objetos de transição, pode ser uma peça de roupa, um objeto pessoal, acessório ou até mesmo um livro que tenha ligação com a pessoa que morreu. Ou então, um livro ou filme que serviu de amparo nesse momento. “Esse objeto é o que vai representar o vínculo com aquela pessoa que seu filho perdeu e pode dar uma sensação de segurança. É algo que ajuda a não se sentir tão sozinha. No caso de morte de pais ou mães, principalmente, esses objetos são muito importantes”, diz Cristina. Em o O Guarda-chuva do Vovô, o “objeto de amor” está no título. E a escolha não foi feita por acaso, como diz a autora. Ela escreveu o livro por causa da morte de seu próprio avô. “Ele ficou muito doente e faleceu um pouco depois do meu primeiro filho (hoje com três anos) nascer. Como estava com um bebê muito pequeno, não pude me despedir dele e fiquei com algo entalado dentro de mim. Em um dia de chuva, acabei pegando o guarda-chuva dele emprestado. E ficava pensando, ‘puxa, isso é tudo o que eu tenho do meu avô’...”, conta.
Carolina afirma que a obra foi uma maneira de ela mesma botar um sentimento para fora. Como não pôde se despedir do avô da maneira que gostaria, decidiu fazer isso por meio da literatura. Na hora de escolher a maneira de descrever esse sentimento, não teve dúvidas: colocou-se na situação de uma criança, a partir de um interesse crescente por literatura infantil. “Como eu vinha pensando sobre essa linguagem há algum tempo, vesti a pele da criança que provavelmente eu fui e passei a descrever o que via desse novo ponto de vista”, diz. Escrever, como ela conta, foi fácil, e o livro saiu de uma só vez. “Sentei na frente do computador, ainda com meu filho no peito, e escrevi todo o texto”.
Como a criança entende a morte em diferentes idades
Até 6 anos
O vínculo afetivo maior é com os pais (ou os cuidadores) e os irmãos. Quando ocorre uma morte fora desse círculo, a criança vai perceber que algo aconteceu, mas o sentimento de perda não será tão grande. De acordo com Cristina, não é indicado ir a velórios e enterros até essa idade. “Não há regras, pois cada criança tem uma sensibilidade diferente. Cabe aos pais decidir. Mas, no geral, os menores ainda têm muitos medos e fantasias”, diz.
A partir de 7 anos
A criança começa a criar outros vínculos (na escola, principalmente) e, com isso, passa a sentir mais intensamente as perdas fora do círculo familiar. Ela passa a compreender melhor a morte, e é possível falar mais abertamente com ela sobre o assunto.
Fonte: Cristina Mendes Gigliotti, psicóloga da área de Oncologia Clínica do Hospital M´Boi Mirim, em São Paulo
Livros para criança que falam sobre perdas
O Guarda-chuva do Vovô, de Carolina Moreyra e ilustrações de Odilon Moraes
Editora DCL
Obra vencedora do prêmio FNLIJ nas categorias Criança e Escritor Revelação
É a Cara da Mãe, de Roddy Doyle e ilustrações de Freyia Blackwood
Galerinha Record
Menina Nina, de Ziraldo
Editora Melhoramentos
Vovó Nana, de Margaret Wild e ilustrações de Ron Brooks
Brinque-Book
A Poltrona Vazia, de Sandra Saruê e ilustrações de Marcelo Boffa
Editora Melhoramentos
O Jogo da Amarelinha, de Graziela Bozano Hetzel e ilustrações de Elizabeth Teixeira
Editora Manati
A Velhinha que Dava Nome às Coisas, de Cynthia Rilant e ilustrações de Kathryn Brown
Editora Brinque-Book
Mas Por quê?! A História de Elvis, de Peter Schössow
Editora Cosac Naify
Era Uma Vez um Reino Sonolento, de Leo Cunha e Ricardo Benevides
Ilustrações de André Neves
Editora Record
A Vida Íntima de Laura, de Clarice Lispector e ilustrações de Flor Opazo
Editora Rocco
O Segredo é não ter Medo, de Tatiana Belinky e ilustrações de Guto Lacaz
Editora 34
Sapato Furado, de Mario Quintana e ilustrações de André Neves
Editora Global
Fonte: REvista Crescer
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Agora, até bebês são submetidos a dieta

Por causa de preocupação exagerada com obesidade infantil, mães obrigam filhos a restrições alimentares prejudiciais
Regime inadequado para idade pode levar a deficiência de ferro, desequilíbrio hormonal e baixo crescimento
DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE
Elogiar as dobrinhas daquela criança fofa pode não ser mais adequado. Mães preocupadas demais com obesidade estão regulando a alimentação dos filhos, isto é, colocando bebês de dieta.
O fenômeno é raro, mas está crescendo, de acordo com especialistas. "Já peguei mãe suprimindo totalmente os carboidratos da dieta, o que é um erro. Não pode tirar uma fonte energética, usada no crescimento", diz a pediatra Cristiane Kochi, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Mães obesas que levam filhos ao consultório com problemas de crescimento vêm chamando a atenção de Zuleika Halpern, especialista em obesidade infantil e membro da Abeso (entidade para estudo da obesidade).
"Verificamos que elas oferecem alimentos inadequados, como leite desnatado, e em pouca quantidade, por medo de as crianças serem obesas também."
Halpern afirma que, em um dos casos, quem "entregou" o problema foi a avó da criança, já que a mãe não admitia que tinha essa conduta.
"É mais comum que as mães obcecadas com seu próprio peso "torturem" seus bebês na alimentação", diz a médica. Segundo ela, meninas são as maiores vítimas.
TURMA "LIGHT"
Há dois perfis de pais que submetem os bebês a dietas por conta própria, diz o pediatra Mauro Fisberg, especialista em nutrição infantil.
O primeiro é o pai obeso que sofre de culpa e teme que o filho seja gordo também. O segundo é o ortoréxico (com mania de alimentação saudável), que veta carne e doces em favor de produtos light ou naturais. "Fazem da criança um laboratório", diz o médico, que já viu o problema em bebês de oito meses.
Essas restrições podem levar a deficiência de ferro, por falta de carne, desequilíbrio hormonal, por falta de gorduras, e a baixo crescimento, hipoglicemia e alterações no metabolismo, por falta de carboidratos.
A paranoia dos pais tem uma base real. A obesidade infantil está crescendo no mundo todo, Brasil incluído. Dados do IBGE mostram que um terço das crianças de até cinco anos está acima do peso. Essa proporção triplicou desde a década de 70.
MACACÃOZINHO
Nos EUA, onde o problema é mais grave, a obesidade de berço já virou até tema para programa de humor.
O "Saturday Night Live" (que passa aqui no canal Sony da TV por assinatura) fez uma paródia de comercial, na qual o produto era um macacãozinho elástico, para deixar bebês mais esbeltos (tinyurl.com/2bz2jhe).
Fisberg conta que, há alguns anos, o termo "obesidade" deixou de ser usado para bebês nas recomendações mundiais de crescimento infantil. Recentemente, a Organização Mundial de Saúde voltou a incorporar a categoria, dada a gravidade.
Isso não significa que o bebê deva ser colocado de dieta, como se fosse um adulto.
"Se eu tenho uma criança que come compulsivamente, posso limitar o volume de alimento, mas preciso saber o motivo. Mães ansiosas tendem a colocar a criança para mamar no peito com muita frequência." Esse comportamento leva a criança a ignorar os sinais do próprio corpo de que ela está satisfeita.
"O que a gente indica é uma dieta saudável. Damos orientações sobre a quantidade certa, o tipo de preparo e fazemos trocas de alimentos", afirma Cristiane Kochi.
Fonte: Folha de São Paulo
sábado, 4 de dezembro de 2010
Filhos que dormem com os pais

Esse tema foi uma pedra no meu sapato por muito tempo. Desde os 4 meses de idade meu filho dormia na minha cama. Foi quando voltei da licença maternidade e precisava acordar muito cedo para estar no trabalho às 7:30. Era um pesadelo acordar a noite toda com ele resmungando e não tem nada que me tira mais do sério do que ser interrrompida do meu sono (coisa que toda mãe de recém-nascido tem que enfrentar). Rapidamente descobrimos que ele dormia a noite toda se ficasse na nossa cama. Eu sabia que isso seria um hábito difícil de tirar e incentivada por meu marido que dizia que amor de mãe não poderia fazer mal a um bebê joguei a toalha e o aceitei na nossa cama para a alegria das minhas noites de sono.
Acontece que o bebê cresce, a cama fica pequena para três e as coisas ficam complicadas. Encurtando uma história longa durante cinco anos e meio tentei tirálo da nossa cama e depois do nosso quarto. Foram muitas idas e vindas com conversas, mudança na decoração do quarto mas ele sempre aparecia no meio da noite no nosso quarto, ou muitas vezes era eu que sentia a ausência dele. Finalmente agora tomei coragem e tive uma conversa definitiva com ele explicando que ele fará 6 anos ano que vem e que não dava mais para ficar dormindo com a mamãe pois já era um menino e todo menino tem seu próprio quarto. Ofereci a cama dos sonhos dele como recompesa e depois muitas semanas de adaptação, minha e dele, conseguimos. Nas primeiras semanas eu custava a cair no sono, ele acordava chorando no meio da noite alegando pesadelos, estar sentindo mal (acho até que aquela doença foi pela mudança pois o pediatra não achou a causa para febre), reativei a babá eletrônica para ele se sentir seguro... funcionou. Agora ambos estamos adaptados e dormindo tranquilos; cada um no seu quarto. Confesso que minha vontade era mantê-lo assim...dormindo pertinho, pois não tem nada mais gostoso que acordar no meio da noite e olhar para aquela carinha fofa, sentir aquele cheirinho de suor, ver aquele pezinho gostoso roçando o lençol...mas sei que tudo seu preço e quero que meu filho seja uma pessoa independente e segura. Me lembro de uma mensagem que recebi na internet de título, "mãe desnecessária" que dizia que você pode se considerar uma boa mãe se quando seus filhos crescem não precisam mais de você. E consciente do meu papel de mãe tenho tentado soltar as amarras, dar responsabilidades ao meu menino enfim, tomando um passo de cada vez ... no nosso tempo. Meu próximo projeto é deixa-lo cair no sono sozinho sem que eu precise me deitar ao seu lado. Ontem já comecei, pois a tal cama nova que ele finalmente ganhou como prêmio, não me cabe junto. Cantei uma canção, abençoei o sono dele, dei um beijo e me despedi. Meia hora depois entrei no quarto e ele dormia. Sem traumas; como deve ser. Nesse momento em que estamos finalmente prontos para essa mudança.
sábado, 23 de outubro de 2010
Violência na TV

Fui assistir Tropa de Elite ontem e tinha um casal com duas crianças beirando seus 6 e 4 anos na sala. Fiquei tão indignada com o cinema que deixou entrar, com a ignorância desses pais que mal consegui curtir o filme. Toda vez que passava uma cena violenta eu me sentia mal por saber que aquelas crianças estavam presenciando aquelas cenas tão fortes até mesmo para nós que somos adultos e reconhecemos ser reprodução de uma cena que acontece na realidade mas que as pessoas estão apenas representando. Fui correndo buscar pesquisa sobre o assunto para postar no blog. Se alguem tiver algum artigo interessante não deixe de nos enviar.
Violência na TV e nos games deixa os jovens insensíveis, diz pesquisa
Fonte: Correio do Estado
Crianças e jovens expostos à violência em filmes e jogos eletrônicos podem se tornar não apenas insensíveis, como apresentar comportamentos agressivos, segundo estudo publicado na última edição do Oxford Journal of Social Cognitive and Affective Neuroscience. De acordo com especialistas dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, isso demonstra a importância de os pais estarem vigilantes em relação ao conteúdo o qual os jovens têm acesso na TV e através de outros meios.
Na pesquisa, 22 garotos com idades entre 14 e 17 anos assistiram a clipes de quatro segundos de cenas violentas, separadas em três blocos de 20 clipes com níveis de violência muito leve, leve ou moderado. E, após cada clipe, o participante tinha de apertar um dos dois botões disponíveis avaliando se o vídeo foi menos ou mais violento que o anterior.
Avaliando a resposta cerebral desses participantes através de ressonância magnética, além da resposta da pele através de eletrodos nos dedos, os cientistas notaram que os vídeos violentos, ao longo do tempo, vão inibindo as reações emocionais dos jovens, podendo deixá-los “insensíveis” e afetar negativamente seu comportamento. “A nova descoberta importante é que, com o tempo, a exposição a vídeos mais violentos inibe as reações emocionais a vídeos agressivos similares”, escreveram os especialistas.
Além disso, os autores destacam que as descobertas podem ser extrapoladas para o dia a dia, pois os jovens que já assistiam a vídeos violentos em casa apresentavam menos respostas emocionais aos vídeos do estudo.
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Sexualidade da criança
Nova fase, novas preocupações. Buscando algumas respostas encontrei o texto abaixo e resolvi compartilhar a informação.
"Ao abordar o tema da Educação Sexual, deparamo-nos com uma realidade com a qual pais e educadores sentem a responsabilidade de informar e debater questões ligadas à sexualidade, com os seus filhos. Contudo, por se tratar de uma área que pode, muitas vezes, ser interpretada de forma reducionista, com uma carga sexual-genital, os agentes educativos tendem a sentir algum embaraço e insegurança na forma de abordar o tema. Na generalidade dos casos, a inexistência de modelos na sua própria infância, torna esta tarefa parental nova e, deste modo, vêm-se como menos preparados para a realizar.
Para tal há que considerar o que é a Educação Sexual: é realizada mesmo quando julgamos que não o fazemos. Ela está ligada à vida: aos momentos que partilhamos, ao mudar as fraldas, os afectos, as carícias, comentários a um programa de televisão, o momento de dar banho, os exemplos que damos, etc.
Desta forma, é importante que tenhamos em conta que estamos a moldar as nossas crianças, bem como a transmitir-lhes valores, mesmo quando pensamos que não. Como essa educação sexual já está, mesmo que implicitamente, a ser desempenhada, é chegada a altura de assumirmos a importância da sua abordagem explícita.
Grande parte dos problemas ligados à vivência da sexualidade têm origem na falta de informação e na ansiedade daí gerada. Da mesma forma, a ignorância sobre estes assuntos poderá resultar numa baixa auto-estima, promover um desenvolvimento não harmonioso, desencadear situações de culpa ou de medo. Mesmo actualmente, numa sociedade caracterizada pela facilidade em adquirir informação, a importância da família é sempre distinta, dada a tonalidade emocional e afectiva implícita.
Daí a importância de promover uma educação sexualizada, e contribuir para a formação de crianças, jovens e futuros adultos com mais capacidade de se sentirem bem consigo próprios, de amar, de se realizarem sexualmente, de se sentirem felizes.
Nascimento da criança
A sexualidade é uma força viva do indivíduo, um meio de expressão dos afectos, uma maneira de cada um se descobrir, bem como descobrir os outros.
Desta forma, é desde o nascimento da criança que se deverá começar a pensar em Educação Sexual, algo que não pode ser considerado distinto de todo o processo educativo.
Nos primeiros meses de vida, toda a relação está ligada ao tocar, às carícias, às respostas dadas às necessidades que a criança vai manifestando, ao contacto corporal que se permite e se promove. Esta fase centra-se muito na estimulação da capacidade de comunicar, de desenvolver sentimentos associados à segurança e à confiança, que permitirão equilibrar e estruturar as reacções afectivas que se desenvolverão no percurso de vida. Desta forma, estamos a promover as bases para uma boa evolução afectiva, sexual e social.
Identidade Sexual
O processo que vai permitir à criança encontrar a sua identidade sexual, o ver-se como pertencente ao sexo que tem, inicia-se muito precocemente. Na maioria dos casos, tal começa a ser trabalhado mesmo antes do nascimento da criança (a decoração do quarto, as cores das roupas, os brinquedos escolhidos, etc.).
Este é um desafio que obriga os pais a estarem abertos e atentos à sociedade actual, de forma a não se deixarem guiar por uma educação baseada em valores e normas mais tradicionais dos papéis sociais masculinos e femininos. Um rapaz não o deixa de ser só por desejar brincar com bonecas, nem se deixa de ser uma rapariga por gostar de jogar à bola e subir a árvores, antes pela possibilidade de experimentação se consolida o género.
Cabe aos pais e aos educadores ir aprovando comportamentos facilitadores do bem-estar da criança durante o desenvolvimento do seu papel sexual, aceitando-o positivamente e facilitando assim o seu processo pessoal de construção da identidade sexual.
A idade dos "porquês"
O desenvolvimento da linguagem e a sua manipulação, vai permitir explorar o mundo à sua volta. Neste período surge, por volta dos três anos, a fase do "Porquê?". Nesta etapa de vida da criança, a temática sexual é quase obrigatória. Temas como as diferenças anatómicas, de roupa, de jogos, a sua origem (a célebre pergunta: "de onde vêm os bebés?"), são motivos que causam enorme interesse e curiosidade na criança.
Curiosidade pelo corpo
Paralelamente às dúvidas e curiosidades que coloca através da linguagem, a criança explorará o seu corpo, tentando conhecer e promover as sensações que produz. É a fase do reconhecimento do seu sexo, do toque e da observação. É frequente mostrar os seus órgãos sexuais, bem como compará-los com os das outras crianças para melhor se reconhecer nesse confronto com o outro.
Para os pais, o facto de uma criança explorar o seu corpo na procura de o conhecer e de sentir prazer, é uma actividade que frequentemente causa apreensão. Porém, estes comportamentos são naturais, fazem parte do desenvolvimento, e é com essa mesma naturalidade que deverão ser encarados. É possível orientar a criança, sem a culpabilizar pelo facto de ter essas manifestações na intimidade, dizendo frases do tipo: "Faz antes isso no teu quarto". Há que evitar atitudes repressivas, que podem ir no sentido inverso ao desejado: a promoção do bem-estar no seu corpo.
Ao nível do jogo, as crianças procuram brincadeiras que incluam o toque e a descoberta do corpo: brincar aos pais e às mães, aos médicos e aos doentes, etc. Estes jogos funcionam como uma ferramenta, que permitirá a comparação dos seus órgãos com os dos amigos e os dos adultos, bem como a descoberta de que lhes dão prazer. É nesta fase que provavelmente se inicia a associação entre sentimentos associados a uma vivência sexual e órgãos genitais.
Cabe aos adultos dar à criança a oportunidade de realizar com tranquilidade e sem fantasmas a exploração dos órgãos genitais. Desta forma, estaremos a contribuir para que a criança possua uma imagem corporal mais íntegra e satisfatória.
A relação triangular pai, mãe e criança
Nesta fase de descoberta dos órgãos sexuais e de observação das diferenças entre géneros, é natural que existam diferenças no relacionamento com os pais. Processa-se uma relação triangular com os dois pais e o(a) filho(a), que vai ser caracterizada, consoante o género da criança, pela atracção do pai ou da mãe numa rivalidade com o progenitor do mesmo sexo. É através deste "conflito" potencial, que será resolvido pela aproximação progressiva do pai em relação ao filho e da mãe em relação à filha (processo de identificação), que vai estruturar a criança em relação ao próprio sexo, de uma forma diferenciada para o rapaz e para a rapariga.
É fundamental os pais compreenderem, com ternura, esta fase de crescimento, marcando, no entanto, os limites dos sonhos e desejos dos seus filhos. Tal passa pela afirmação dos seus próprios afectos e pela ligação de amor entre o pai e a mãe. Os filhos devem aprender a respeitar a existência de intimidade entre os pais, sem que isso corresponda a um sentimento de perda de amor.
Ultrapassada esta fase (a denominada fase Edipiana), existe uma grande mudança na forma como as crianças vivenciam a sexualidade.
Os seis anos, e a entrada para a escola
Entre os seis e os sete anos de idade, verificam-se grandes alterações na vida da criança. Este período coincide com a entrada para a escola e, com ela, surgem novos companheiros, outros adultos, importantes aprendizagens e novas exigências pessoais e sociais.
Podes ser considerada como uma fase promotora do desenvolvimento intelectual. Nesta, a actuação dos pais e educadores deverá centrar-se na resposta sincera às questões colocadas e na promoção do diálogo, aproveitando para tal todas as situações, como são exemplo a leitura de livros, comentários a filmes e programas televisivos, ocorrências do quotidiano, etc.
Cabe aos adultos de referência reflectir sobre o que querem que seja assimilado pelas crianças. Analisar os nossos comportamentos, ponderando se estes transmitem o que pretendemos, os modelos dos quais as procuramos dotar, os horizontes que lhes apresentamos e ajudamos a descobrir. Enfim, a nossa filosofia, ideologia e atitudes influenciarão os comportamentos e sentimentos das crianças, imprimindo-lhes estes aspectos de diferentes modos para toda a vida.
Notas Finais
É importante os pais reviverem narrativamente e entre si a sua própria infância e adolescência: o modo como foram sentidas as questões, dúvidas associadas à sexualidade, o meio pelo qual acederam à informação e, a percepção e sentimentos agregados a estas informações recolhidas. Este diálogo do recordar, permite ensaiar e debater, de forma antecipada e estruturada, questões relativas à educação dos filhos do casal.
Durante a infância, as crianças questionam-se sobre os mais variados temas. Estas perguntas devem ser atendidas à medida que vão surgindo, permitindo a assimilação e estruturação das suas respostas, daí que devem ser adaptadas ao nível etário da criança. De igual modo, também noutras áreas, convém aproveitar as oportunidades que vão surgindo no quotidiano para debater estas questões. Importa que as crianças se sintam acompanhadas por pessoas nas quais confiem, adultos que vivem o que ensinam, e que são capazes de estabelecer laços afectivos. Salienta-se ainda que, o que é dito terá de ser repetido outras vezes, pois o seu crescimento possibilita uma compreensão diferente da mesma questão.
Na abordagem do tema da sexualidade, é conveniente associá-lo ao amor, à ternura, ao bem-estar e ao prazer, para que as crianças compreendam que, enquanto forem crianças, não poderão ter relações sexuais, pois o corpo não está suficientemente amadurecido. Como outras coisas na vida, elas acontecerão mais tarde.
A sexualidade, como componente da vida do indivíduo, deverá ser transmitida de uma forma positiva, salientando as qualidades da comunicação, da ternura, da transmissão dos afectos e do prazer.
O modo como a ternura , o amor e o carinho são expressos entre os pais, e de pais para filhos, é a forma mais autêntica e genuína de comunicação da afectividade e sexualidade. Como lidamos com o bebé e a criança, a acarinhamos, comunicamos com o seu corpo, conversamos, vai repercutir-se na qualidade das relações futuras, isto é, o futuro começa hoje."
Publicada por Psicólogo Bruno Pereira Gomes
"Ao abordar o tema da Educação Sexual, deparamo-nos com uma realidade com a qual pais e educadores sentem a responsabilidade de informar e debater questões ligadas à sexualidade, com os seus filhos. Contudo, por se tratar de uma área que pode, muitas vezes, ser interpretada de forma reducionista, com uma carga sexual-genital, os agentes educativos tendem a sentir algum embaraço e insegurança na forma de abordar o tema. Na generalidade dos casos, a inexistência de modelos na sua própria infância, torna esta tarefa parental nova e, deste modo, vêm-se como menos preparados para a realizar.
Para tal há que considerar o que é a Educação Sexual: é realizada mesmo quando julgamos que não o fazemos. Ela está ligada à vida: aos momentos que partilhamos, ao mudar as fraldas, os afectos, as carícias, comentários a um programa de televisão, o momento de dar banho, os exemplos que damos, etc.
Desta forma, é importante que tenhamos em conta que estamos a moldar as nossas crianças, bem como a transmitir-lhes valores, mesmo quando pensamos que não. Como essa educação sexual já está, mesmo que implicitamente, a ser desempenhada, é chegada a altura de assumirmos a importância da sua abordagem explícita.
Grande parte dos problemas ligados à vivência da sexualidade têm origem na falta de informação e na ansiedade daí gerada. Da mesma forma, a ignorância sobre estes assuntos poderá resultar numa baixa auto-estima, promover um desenvolvimento não harmonioso, desencadear situações de culpa ou de medo. Mesmo actualmente, numa sociedade caracterizada pela facilidade em adquirir informação, a importância da família é sempre distinta, dada a tonalidade emocional e afectiva implícita.
Daí a importância de promover uma educação sexualizada, e contribuir para a formação de crianças, jovens e futuros adultos com mais capacidade de se sentirem bem consigo próprios, de amar, de se realizarem sexualmente, de se sentirem felizes.
Nascimento da criança
A sexualidade é uma força viva do indivíduo, um meio de expressão dos afectos, uma maneira de cada um se descobrir, bem como descobrir os outros.
Desta forma, é desde o nascimento da criança que se deverá começar a pensar em Educação Sexual, algo que não pode ser considerado distinto de todo o processo educativo.
Nos primeiros meses de vida, toda a relação está ligada ao tocar, às carícias, às respostas dadas às necessidades que a criança vai manifestando, ao contacto corporal que se permite e se promove. Esta fase centra-se muito na estimulação da capacidade de comunicar, de desenvolver sentimentos associados à segurança e à confiança, que permitirão equilibrar e estruturar as reacções afectivas que se desenvolverão no percurso de vida. Desta forma, estamos a promover as bases para uma boa evolução afectiva, sexual e social.
Identidade Sexual
O processo que vai permitir à criança encontrar a sua identidade sexual, o ver-se como pertencente ao sexo que tem, inicia-se muito precocemente. Na maioria dos casos, tal começa a ser trabalhado mesmo antes do nascimento da criança (a decoração do quarto, as cores das roupas, os brinquedos escolhidos, etc.).
Este é um desafio que obriga os pais a estarem abertos e atentos à sociedade actual, de forma a não se deixarem guiar por uma educação baseada em valores e normas mais tradicionais dos papéis sociais masculinos e femininos. Um rapaz não o deixa de ser só por desejar brincar com bonecas, nem se deixa de ser uma rapariga por gostar de jogar à bola e subir a árvores, antes pela possibilidade de experimentação se consolida o género.
Cabe aos pais e aos educadores ir aprovando comportamentos facilitadores do bem-estar da criança durante o desenvolvimento do seu papel sexual, aceitando-o positivamente e facilitando assim o seu processo pessoal de construção da identidade sexual.
A idade dos "porquês"
O desenvolvimento da linguagem e a sua manipulação, vai permitir explorar o mundo à sua volta. Neste período surge, por volta dos três anos, a fase do "Porquê?". Nesta etapa de vida da criança, a temática sexual é quase obrigatória. Temas como as diferenças anatómicas, de roupa, de jogos, a sua origem (a célebre pergunta: "de onde vêm os bebés?"), são motivos que causam enorme interesse e curiosidade na criança.
Curiosidade pelo corpo
Paralelamente às dúvidas e curiosidades que coloca através da linguagem, a criança explorará o seu corpo, tentando conhecer e promover as sensações que produz. É a fase do reconhecimento do seu sexo, do toque e da observação. É frequente mostrar os seus órgãos sexuais, bem como compará-los com os das outras crianças para melhor se reconhecer nesse confronto com o outro.
Para os pais, o facto de uma criança explorar o seu corpo na procura de o conhecer e de sentir prazer, é uma actividade que frequentemente causa apreensão. Porém, estes comportamentos são naturais, fazem parte do desenvolvimento, e é com essa mesma naturalidade que deverão ser encarados. É possível orientar a criança, sem a culpabilizar pelo facto de ter essas manifestações na intimidade, dizendo frases do tipo: "Faz antes isso no teu quarto". Há que evitar atitudes repressivas, que podem ir no sentido inverso ao desejado: a promoção do bem-estar no seu corpo.
Ao nível do jogo, as crianças procuram brincadeiras que incluam o toque e a descoberta do corpo: brincar aos pais e às mães, aos médicos e aos doentes, etc. Estes jogos funcionam como uma ferramenta, que permitirá a comparação dos seus órgãos com os dos amigos e os dos adultos, bem como a descoberta de que lhes dão prazer. É nesta fase que provavelmente se inicia a associação entre sentimentos associados a uma vivência sexual e órgãos genitais.
Cabe aos adultos dar à criança a oportunidade de realizar com tranquilidade e sem fantasmas a exploração dos órgãos genitais. Desta forma, estaremos a contribuir para que a criança possua uma imagem corporal mais íntegra e satisfatória.
A relação triangular pai, mãe e criança
Nesta fase de descoberta dos órgãos sexuais e de observação das diferenças entre géneros, é natural que existam diferenças no relacionamento com os pais. Processa-se uma relação triangular com os dois pais e o(a) filho(a), que vai ser caracterizada, consoante o género da criança, pela atracção do pai ou da mãe numa rivalidade com o progenitor do mesmo sexo. É através deste "conflito" potencial, que será resolvido pela aproximação progressiva do pai em relação ao filho e da mãe em relação à filha (processo de identificação), que vai estruturar a criança em relação ao próprio sexo, de uma forma diferenciada para o rapaz e para a rapariga.
É fundamental os pais compreenderem, com ternura, esta fase de crescimento, marcando, no entanto, os limites dos sonhos e desejos dos seus filhos. Tal passa pela afirmação dos seus próprios afectos e pela ligação de amor entre o pai e a mãe. Os filhos devem aprender a respeitar a existência de intimidade entre os pais, sem que isso corresponda a um sentimento de perda de amor.
Ultrapassada esta fase (a denominada fase Edipiana), existe uma grande mudança na forma como as crianças vivenciam a sexualidade.
Os seis anos, e a entrada para a escola
Entre os seis e os sete anos de idade, verificam-se grandes alterações na vida da criança. Este período coincide com a entrada para a escola e, com ela, surgem novos companheiros, outros adultos, importantes aprendizagens e novas exigências pessoais e sociais.
Podes ser considerada como uma fase promotora do desenvolvimento intelectual. Nesta, a actuação dos pais e educadores deverá centrar-se na resposta sincera às questões colocadas e na promoção do diálogo, aproveitando para tal todas as situações, como são exemplo a leitura de livros, comentários a filmes e programas televisivos, ocorrências do quotidiano, etc.
Cabe aos adultos de referência reflectir sobre o que querem que seja assimilado pelas crianças. Analisar os nossos comportamentos, ponderando se estes transmitem o que pretendemos, os modelos dos quais as procuramos dotar, os horizontes que lhes apresentamos e ajudamos a descobrir. Enfim, a nossa filosofia, ideologia e atitudes influenciarão os comportamentos e sentimentos das crianças, imprimindo-lhes estes aspectos de diferentes modos para toda a vida.
Notas Finais
É importante os pais reviverem narrativamente e entre si a sua própria infância e adolescência: o modo como foram sentidas as questões, dúvidas associadas à sexualidade, o meio pelo qual acederam à informação e, a percepção e sentimentos agregados a estas informações recolhidas. Este diálogo do recordar, permite ensaiar e debater, de forma antecipada e estruturada, questões relativas à educação dos filhos do casal.
Durante a infância, as crianças questionam-se sobre os mais variados temas. Estas perguntas devem ser atendidas à medida que vão surgindo, permitindo a assimilação e estruturação das suas respostas, daí que devem ser adaptadas ao nível etário da criança. De igual modo, também noutras áreas, convém aproveitar as oportunidades que vão surgindo no quotidiano para debater estas questões. Importa que as crianças se sintam acompanhadas por pessoas nas quais confiem, adultos que vivem o que ensinam, e que são capazes de estabelecer laços afectivos. Salienta-se ainda que, o que é dito terá de ser repetido outras vezes, pois o seu crescimento possibilita uma compreensão diferente da mesma questão.
Na abordagem do tema da sexualidade, é conveniente associá-lo ao amor, à ternura, ao bem-estar e ao prazer, para que as crianças compreendam que, enquanto forem crianças, não poderão ter relações sexuais, pois o corpo não está suficientemente amadurecido. Como outras coisas na vida, elas acontecerão mais tarde.
A sexualidade, como componente da vida do indivíduo, deverá ser transmitida de uma forma positiva, salientando as qualidades da comunicação, da ternura, da transmissão dos afectos e do prazer.
O modo como a ternura , o amor e o carinho são expressos entre os pais, e de pais para filhos, é a forma mais autêntica e genuína de comunicação da afectividade e sexualidade. Como lidamos com o bebé e a criança, a acarinhamos, comunicamos com o seu corpo, conversamos, vai repercutir-se na qualidade das relações futuras, isto é, o futuro começa hoje."
Publicada por Psicólogo Bruno Pereira Gomes
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Videogame pode causar problemas de atenção em crianças, diz estudo

Longo período em frente à televisão, seja surfando pelos canais ou jogando videogame, pode dificultar a concentração de crianças na escola, afirmaram psicólogos do Laboratório de Pesquisa de Mídia, da Universidade de Iowa, nesta segunda-feira, em estudo publicado na revista Pediatrics.
Enquanto os pesquisadores continuam divididos sobre a questão, os resultados estão de acordo com os últimos trabalhos que analisaram os efeitos da televisão sobre crianças, disseram eles.
"O que nós não sabemos neste momento é por qual motivo a TV e o videogame causam problemas de atenção", disse Douglas Gentile, que trabalhou no estudo.
Gentile acrescentou que o tempo de exposição em frente à tela também pode ser associado ao aumento da agressividade e, talvez menos surpreendente, ao aumento de peso.
O pesquisador disse que o novo estudo foi o primeiro a acompanhar como o videogame pode afetar as habilidades de concentração infantil ao longo do tempo.
Os pesquisadores acompanharam um grupo de mais de 1.300 crianças em idade escolar, que, assistido por seus pais, registraram o tempo em frente à TV e jogando videogame ao longo de um ano. Eles, então, pediram que os professores respondessem a perguntas sobre como as crianças se comportavam na escola -se eles tinham dificuldade de se concentrar em tarefas, por exemplo, ou se distraiam-se com frequência.
Mesmo após a contabilização de problemas de atenção quando as crianças entraram no estudo, aqueles que assistiram à televisão ou jogaram videogame em excesso tiveram um pouco mais de problemas de concentração na escola.
Especificamente, as crianças que passaram mais de duas horas por dia na frente da tela -o limite recomendado pela Academia Americana de Pediatria- aumentaram suas chances de ultrapassar o nível médio de problemas de atenção em 67%.
Os casos extremos de dificuldade de atenção, por vezes, levam a um diagnóstico de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). Entre 3% e 7% das crianças em idade escolar sofrem do problema. No entanto, os pesquisadores não diagnosticaram nenhuma criança com essa condição.
Eles também testaram alunos não graduados, desta vez por meio de questionários psicológicos destinados a revelar o transtorno.
Nestes alunos, exceder o limite de duas horas diárias em frente à TV dobrou o risco de sofrer de problemas de atenção, mas nenhum foi diagnosticados com TDAH.
Gentile disse que o impacto da TV e dos videogames depende muito de outros fatores, e que não deve ser considerado dramático.
"Não é toda criança que vai ser influenciada", disse ele. "Não causa este efeito ao nosso comportamento. É uma combinação de estímulos que recebemos, a mídia é apenas uma variável.
Miriam Mulsow, um especialista em TDAH da Universidade de Tecnologia do Texas que não foi envolvida no estudo, disse que não acha que a TV ou os jogos de videogame possam causar problemas de atenção ou o transtorno.
"Há pais que trabalham em diversos empregos e não podem cuidar da criança", disse Mulsow. "O que me preocupa é que os pais pensam que eles causam o transtorno em seus filhos. Eu não acho que esse é o caso ou que os pais devam se sentir mal."
No entanto, acrescentou, "se uma criança tem tendência a desenvolver problemas de atenção, horas seguidas em frente à TV e a falta de exercícios podem agravar o quadro."
Ela disse que concorda que uma criança não deve assistir mais de duas horas de TV por dia. "Eu mesma não permito que meus filhos assistam por mais do que esse período", disse ela.
Fonte: folha de São Paulo
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Coisas que fazemos como pais e mães

Paulo Geraldo (professor e psicólogo)
Recebi esse texto na reunião da escola do meu filho e achei muito interessante repassar a mensagem para nossa reflexão.
“O menino lá em casa não faz a sua cama de manhã. Não prepara sozinho a roupa para vestir no dia seguinte e nem mochila. Não arruma os seus brinquedos e nem o seu quarto. Não tem uma rotina de horários e de atividades para cumprir conforme sua idade. A mãe tem um gosto todo material em realizar por ele essas tarefas e o pai não vê nenhum problema nisso, pois o acha muito pequeno para tarefas. Há anos que isto se passa assim, o que produz um estilo de vida.
E, depois, o pai vai levar o menino à escola, mesmo que, indo a pé, ele demorasse apenas dez ou quinze minutos. É que tem a chuva, e os atrasos, e o peso da mochila, e o perigo de atravessar a rua... E, se for na grande cidade, os assaltos... Uma vez roubaram um relógio do primo dele. Há anos que isto se passa assim, o que produz um estilo de vida.
E, depois, o menino, além de não tratar das suas coisas, também não é envolvido nas tarefas comuns da casa. Porque se puser a mesa, é certeza que quebre pelo menos um copo. Porque não é de grande ajuda, se for preciso pregar um quadro na parede. Porque se sujaria se ajudasse na pintura da sala; e seria preciso, além do mais, tomar conta dele. Melhor os adultos fazerem ou a empregada. Porque tudo está muito frio para ser ele quem vai despejar o saco do lixo lá fora, no container ou muito cedo ou muito tarde para ir sozinho à padaria... Há anos que isso se passa assim, o que produz um estilo de vida.
Hoje em dia não mexe um dedo nem sequer para colocar a cadeira no lugar. Consome as coisas que aparecem feitas, e é capaz de resmungar se não arrumaram bem suas roupas, ou se o jantar atrasou.
Entretanto, chega uma altura em que os pais ficam alarmados. Assustamo-nos quando as coisas chegam a certo ponto, quando percebemos suas atitudes. Parece para nós, que ele está ficando muito infantil, sem iniciativa e acomodado, pouco maduro para a idade. Ficamos em pânico quando o menino tem uma queda grande no rendimento escolar. Insistimos então para que ele estude, para que seja responsável na sua vida escolar...
Mas acontece que a responsabilidade não nasce senão depois de se ter cultivado cuidadosamente, demoradamente, a semente da responsabilidade. Passamos anos a fomentar no menino um estilo de vida sem compromisso e, agora, de repente, exigimos-lhe que seja responsável? Passamos anos a paparicá-lo, e agora queremos que seja maduro? Para ele ser maduro, teria sido necessário que tivesse vivido: que tivesse passado experiências diversas, que tivesse enfrentado obstáculos, que tivesse feito coisas sozinho, que tivesse errado e emendado depois os erros, que tivesse se aperfeiçoado à custa de esforço pessoal. E nós temos feito tudo para lhe evitar esses obstáculos, essas experiências e esse esforço.
É claro que, quando à altura em que precisa mesmo estudar, porque as matérias se tornaram mais difíceis, ele não capaz de fazê-lo. Pois é natural que-não tendo sido habituado ao esforço de fazer a cama, de ir a pé para a escola, de pôr a mesa, de arrumar suas coisas, de comprar pão, de fazer seu café, de cumprir horários e fazer tarefas ao menos uma vez... – não seja capaz do esforço de estudar, que é maior que os outros.
É enganoso levar o menino ao psicólogo. É enganoso pensarmos que o problema está em não saber estudar, em desconhecer as técnicas de estudo. O problema dele é... Como o educamos. Exatamente. Se quisermos mudá-lo, primeiro teremos que mudar a nós próprios e as nossas ações... Seremos capazes de mudar?
O que temos exigido de nossos filhos? Qual estilo de vida produzimos em nossos lares?
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